SABEDORIA ETERNA

                  Trabalho escrito em 14 de novembro de 2024

                   Por ALEXANDRE BOCCANERA DE ABREU  

             A religião tem-se mostrado como uma das práticas mais contraditórias da humanidade. É preciso analisar sua real significação no mundo das representações. O que realmente se identifica numa postura religiosa? È simplesmente um estado de ser que envolve certas atitudes, rituais externos e internos, que são observados ao longo do tempo. Esse é o caminho de todo o segmento religioso, que há muito, vem dividindo e trazendo incompreensões de diversos níveis ao homem, esse incansável criador de ilusões. Por que isso? Vejamos pois.

            Diz-se que religioso é o que crê. Porém cada um de nós crê em coisas diferentes, nos mais variados níveis de aceitação, o que eleva grandemente o espectro da fé popular. A crença envolve o pensamento e ninguém chega à Realidade através de uma idéia ou pré-concepção. Pensar é associar dados criados pela mente e não existe o caminho de encontro do cérebro com um estado vibratório que está além de quaisquer verbalizações. Tudo o que se arrogue em contrário, por mais eficiente que seja, pode não passar de uma artimanha do “Eu” em suas atividades centralizadoras e circunscritas à mente.Na grande maioria das vezes, pode representar a fuga de quem sente-se vazio e sem criatividade alguma e por isso mesmo contribui para a separação das pessoas, famílias e nações através dos séculos. As guerras conhecidas por “guerras santas” banharam de sangue povos inteiros e ainda hoje, o arrogante “homo sapiens” é vítima de sua própria ignorância. A crença, a fé e as religiões, sem o respaldo da razão, enfim,  praticadas através de milhares de anos, não conseguiram senão, espalhar o sofrimento e a destruição no caminho da humanidade. No meu entender, é devido ao sofisma da sensação de segurança interior, que leva as pessoas a criarem anjos, deuses, demônios que o tempo encarregou-se de alimentar, tanto na forma quanto na especialidade. Tudo enfim, procede de uma mente angustiada dos antigos, escravizada pelo medo, pelo afogamento de suas necessidades instintivas, no desmedidos jejuns, nos inumeráveis rituais que se tem notícia.

         Pessoas há às quais o mundo pareceria vazio se não fosse povoado por quimeras.  

         Nada disso pode corresponder à realidade, não? Pois a fé em Deus não é Deus. Palavras não são a coisa. Acontece que, a manifestação de Deus, da Verdade ou qualquer outro nome que se queira dar em especial, só acontece quando a mente está em profundo silêncio, não imposto por métodos ou rituais. Este silêncio que não pode ser imposto, só acontece quando nosso estado de espírito é de total abandono temporal, sem esperança de nada, de nenhum caminho a percorrer, de palavras ou desejos manifestados. Um momento que simplesmente É.

            Não há portanto, disciplinamento da mente. Formalizar uma mente em determinada maneira de proceder e pensar na intensão de galgar a Deus é passatempo dos monastérios, que ainda hoje, fabricam rezadores frustrados, que sofrem os escárnios da repressão sexual e da compulsão neurótica ao celibato. Daí somente poderão sair seres pela metade, pois grande parte de sua energia criadora, ficará aprisionada para sempre, ao menos essa tem sido a idéia…

           Quatro são as qualidades do sábio; Querer, Ousar, Saber  e Calar.

           Disciplinar a mente é castrar a possibilidade de compreendermos a nós mesmos. O único caminho da libertação está na compreensão de si próprio e muito poucas são as pessoas que atualmente “elevam templos à virtude e que pela falta de determinação, sucumbem emparedadas pelos grilhões da insânia e do descompasso social  

           Lembremo-nos, queridos Irmãos, a harmonia resulta da analogia dos contrários.

          Se quisermos colher à esquerda, é preciso semear à direita.

          O nada atrai o todo; é por isso que às vezes, os menos dignos de amor são os mais amados…Eis um pequeno traçado da Ciência Oculta, que os grandes Mestre da Sabedoria nos legaram, embora o verdadeiro Conhecimento permaneça oculto, por medida de segurança não devam ser declarados. Só percebe a Luz quem tem olhos adestrados na identificação dos sinais, palavras e gestos, que as mentes milenares dos Mestres transmitiram no tempo.


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