
Após um aprofundado estudo analítico/descritivo da vida do rei Salomão, quem objetivamente responderá com profundidade à pergunta: Salomão foi ou não um sábio?
Quem julgará, finalmente, será o bom senso do leitor criterioso que saberá sopesar os valores reais de seu comportamento ao longo de sua existência. Se analisarmos à luz dos conhecedores dos textos originais, firmaremos a convicção de que muitos sistemas foram gerados, chegando a exibir contornos de verdade aos fatos envolvidos. Um dos principais, em relação ao nosso assunto, é muito bem dissecado na introdução do Livro “SABEDORIA”, da Bíblia de Jerusalém (Edições Paulinas), que comentando sobre a suposta autoria do consignado livro, diz o seguinte:(Ipsis literis).
Supõe-se que o autor seja Salomão, designado claramente, exceto pelo nome(9;7-8,12) e o livro chama-se em grego “Sabedoria de Salomão”. Este se exprime no livro como um rei(7,5 8,9-15) e dirige-se aos seus colegas de realeza(1,1;6,1-11,21).Mas trata-se de um evidente artifício literário, que coloca esta obra sapiencial, como o (Eclesiastes) ou o “Cântico dos Cânticos), sob o nome do maior sábio de Israel. O livro, com efeito foi escrito todo em grego, mesmo a primeira parte(1-5) para a qual alguns erroneamente supuseram um original hebraico. A unidade da composição acompanha a língua que é fluente e rica e molda-se sem esforço pelas formas da retórica. O autor é certamente um judeu, cheio de fé no “Deus dos pais”(9,11) mas é um judeu helenizado. (Mais abaixo segue analisado). Este livro pode ter sido escrito na segunda metade do século I, antes da nossa era. É o mais recente dos livros do Antigo Testamento. Dado o ambiente, a cultura e as intenções do autor, não é estranho que se observem em seu livro numerosos contato com o pensamento grego. Muitos enganos foram se proliferando com o passar do tempo e essa história não faz excessão, como acabamos de demonstrar.
Encontramos na obra de Jorge Adoum, o festejado Mago Jefa, uma clara demonstração da realidade existente sobre o assunto. Insiste o mencionado autor, que o Salomão da Maçonaria é o Sol “Amem-Rá”, o que significa TRINDADE NA DIVINDADE e que não personifica o Salomão bíblico.
O primeiro Salomão seria o Homem Solar, o Iniciado, o Super Homem ou verdadeiro Maçom, a quem Deus fazendo-se presente em seu mundo interno, conferiu-lhe riquezas e Sabedoria incalculáveis. Concluiu ainda Adoum, que este é o Salomão que este é o Salomão que a Maçonaria Iniciática refere-se em todos os seus graus Observa-se também em consequência, que Salomão nunca foi iniciado e muito menos sábio. Este sofisma deveu-se às memórias do povo judeu, que materializaram o Salomão espiritual em Salomão filho de David. Segundo Adoum, Salomão deu inúmeras provas de nunca ter sido iniciado! Isso se deve pelo simples fato de um iniciado jamais poderia incorporar a “persona” de um tirano e conspirador. Assim se caracterizou quando roubando o trono de seu irmão primogênito Adonias, conspirou com sua mãe Betsabé, que por sua vez era acumpliciada da morte de seu marido. Veja-se o texto bíblico, que o profeta Natan teria reprovado a David o adultério e finalmente o assassinato de Urias num plano diabólico, culminando na bodas subsequentes ai crime – crime este que foi da mesma gravidade que o realizado por sia genitora, para levar Salomão ao trono.
Ora, um iniciado não assassina ninguém. O Salomão bíblico começou o seu reinado à moda turca, isto é, degolando seu irmão Adonias, pela razão de que este teria se interessado por Abisag – uma jóvem que foi entregue a David para alegrar a sua velhice. Em plena análise dos fatos à luz da Ciência Universal, Adoum observa a seus leitores que, um iniciado não se entrega a a mil mulheres, setecentas esposas e trezentas concubinas – muito menos, reconhecendo aos ídolos de cada rameira que lhe afagasse os cabelos…
O Salomão bíblico dá insofismáveis provas de tirania, crueldade e libertinagem, em muitas ocasiões, nada ficando a dever a alguns Césares romanos.
Se observarmos seus provérbios, veremos que muitos são banais e alguns de mal gosto flagrante, à semelhança do Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Neste último, considerado um “poema ao Amor”, muita incoerência existe com os costumes de um homem experiente na vida espiritual.
“Amém-Rá”, o homem solar, o maçom que faz ressuscitar o Cristo que mora em cada um de nós, diz Adoum, foi assassinado por nossa ignorância, ambição e ódio, como foram também Mitra, krishna, Jesus, etc. Finalizando, Adoum resume em uma palavra “Este é o Salomão dos maçons e nenhum outro”.
Disso tudo, pode-se depreender que Amar é a suprema ventura dessa vida. Quem não conseguiu amar em sua existência, amargou a vida nas trevas da consciência. Não foi acalentado pelo maior sentimento da vida. Eis aí o maior regalo do coração…
Mas voltando após essa breve digressão, Salomão foi exuberante elemento de ligação entre o seu deus e o povo a quem pertencia.
São unânimes as vozes que o definiram como
“o profeta de Jeová” e enquanto ele foi fiel a essa causa, contou com a proteção e orientação de Jeová e seus Anjos. Acumulou ouro e pedras preciosas, além de especiarias raras, cobrindo-se de favores e benesses dos povos vizinhos e com os quais comercializava. Tudo trazia as luzes do sucesso e quanto mais riquezas possuia, mais haviam de chegar em seu tesouro. Todos admiravam e rendiam grandes homenagens ao rei promissor que foi feito sábio por Jeová, seu Deus. Enquanto este o assistiu, conduzindo habilmente suas ações, o progresso e a justiça se fizeram manifestar abundantemente. Todos queriam integrar e participar da corte do rei que tornou-se sábio. Eis que os ventos mudaram e as provas de fidelidade começaram a desafiar a confiança em quem lhe confiara a Sabedoria. Então Salomão, já confiante em seu saber, achando-se ´poderoso o suficiente para descumprir as recomendações de Jeová, deu início a uma séria de desvarios, que o levaram finalmente à falência de seu reinado e à escravidão de seu povo. Pergunto eu ao leitor; será verdadeiramente sábio aquele que em troca da maior riqueza de seu tempo; milhares de servos à sua inteira disposição ; um dos mais bem aparelhados exércitos da antiguidade; todas as mulheres que imaginasse ter por companhia; ouro pedras preciosas de todas as origens Sabedoria e Clarificação espiritual progressiva, através do assessoramento de Jeová e seu comandados, milhares de profissionais da melhor qualidade para realizar seus projetos com as técnicas de ponta de seu tempo; as honras e dignidades de um rei conhecido e admirado como o mais sábio dos hebreus – enfim, tudo isso com a condição de apenas não cultivar deuses estranhos a Jeová, não contribuir para a construção de templos e oratórios de outros deuses e deusas, não acolher a perversidade e cultivar a caridade para com o seu povo de Israel. Parece incrível, mas foi exatamente o que acabou por fazer Salomão em meio a seu reinado, desprezando, por absoluto, as recomendações pactuadas com o rei por mais de uma vez.
Pergunto eu, onde estava a Sabedoria desse homem? Evidentemente já não estava mais com ele. Ao absceder a espiritualidade, fazendo a vontade de mulheres ímpias e a seus deuses, fazendo-se acólito da luxúria e do desregramento sexual, malquistou-se com sua própria divindade, que foi apagando suas luzes aos poucos, enquanto seus instintos reptilícios faziam-no farejar a infâmia e a decreptude moral. Em uma palavra, a coroa lhe coube a cabeça enquanto observou a disciplina e a moral religiosa. Ainda lhe coube a advertência de Biltes – a rainha de Sabá, que inspirada pela luz que a assistia, dá a parecwer que foi enviada pelo próprio Jeová a fazer-lhe observar a rota perdida – o caminho da Sabedoria. Demonstrando absoluto despreparo para a missão que lhe foi confiada, quedou-se mórbido em repugnante felonia, Diante da estultícia de un rei que a tudo desfrutou, acabando por a nada respeitar, restava a Jeová, o látego de sua indignação pela pérfida devassidão de sua corte e finalmente pelo descaminho do povo de Israel na crassa materialidade, o que levou os hebreus mais uma vez aos grilhões da escravidão.
De tudo isso, podemos auferir da riqueza material, o ouro espiritual, no ensinamento que se extrai da conjugação dos resultados na vida de Salomão, que foi e continuará sendo um magnífico exemplo daquele que sucumbiu à ambição, ao orgulho e a vaidade. Três sentimentos demoníacos. que a muitos tem levado ao infortúnio. O poder é tão perigoso para a alma quanto a miséria. São duas provas que sacodem o espírito, deixando a mente sobrecarregada de pensamentos turvos e condicionantes. Um homem de pensamento precisa da riqueza e é condicionado a ela . O sábio usa da riqueza, mas não sofre os,estigmas da ambição corroendo-lhe as entranhas. O homem comum morre por elas. Salomão conheceu a decrepitude o coração e nisso escreveu para os séculos vindouros no “Eclesiastes” bíblico e caiu na cegueira espiritual pela decrepitude do coração. Sufocando a sublimidade de seu espírito na satisfação dos instintos femininos, deixou que uma a uma de suas luzes fossem apagando sua lucidez, até que as trevas profundas o envolvesse e lançassem seu povo desgovernado e tíbio nas garras do inimigo. O pobre homem rico teve todas as chances de realizar a Deus no mundo e tornando-se um pilar eternamente iluminado no caminho da humanidade, Na constante procura do amor no mundo, deixou de encontrar o arcano da vida eterna.
Estariam agora desmistificados os mistérios da Pedra Filosofal Alquímica; já então homens – deuses glória e símbolo dos vencedores daquele que mais poderosa ferocidade e destreza nas armas se mostrou no campo de batalha da própria vida – o Ego.
FIM



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